O banheiro do Doutor

Data de publicação: 26 de agosto de 2013

Sebastião, pedreiro de mão cheia, recebeu uma chamada de um bacana da cidade perguntando sobre a possibilidade de construir um banheiro novo em sua mansão. Feitas as verificações, a obra iniciou-se dali uma semana, com um prazo de entrega previsto para 27 dias.

Tião procurou ao Doutor no 3º dia da obra para discutir com ele alguns detalhes como altura das louças, tipo de metais a serem utilizados, etc. Porém, o Doutor, homem ocupadíssimo, disse que não tinha tempo para ver isso e que Tião fizesse tudo da maneira que achasse correto.

Como Tião necessitava de alguém que o orientasse e Doutor não tinha esse tempo, foi sugerida a contratação de um profissional especialista em banheiros, o que foi prontamente aprovado pelo bacana.

Tião, ao notar que o prazo foi passando, pediu socorro ao profissional especialista que, imediatamente, contratou outros profissionais terceiros, conforme abaixo:

  • Três (OLA) – Operadores Logísticos Ambulantes (carregadores de entulho em carrinho de mão)
  • Dois (DEA) – Decoradores Esporádicos Avulsos (rejuntadores de azulejos e cerâmicas)
  • Seis (TIS) – Técnicos Intermitentes de Sonorização (operadores de britadeira)
  • Um (ECA) – Especialista em Comunicação Aquosa (encanador)

É claro que tudo isso acarretou não só um forte aumento nos custos do projeto, mas também a contratação de um técnico especializado em logística, uma vez que, com tanta gente para trabalhar dentro de um banheiro, havia a necessidade de controles dos fluxos de deslocamentos e transferência de equipamentos e matéria prima.

Ao final do prazo contratado, Doutor foi verificar o resultado do trabalho e teve uma grande surpresa.

O bidê estava instalado exatamente debaixo do chuveiro, a pia (aliás, folheada a ouro) ficou tão baixa que parecia um local para se urinar, o prendedor de toalhas foi fixado no teto virado na direção do chão, o vaso sanitário impedia que a porta fosse aberta na totalidade, no local indicado como torneira quente, saía água fria e no local indicado como torneira fria, não saía água alguma. O piso, por sua vez, era maravilhoso, a não ser pelas manchas pretas causadas pelo excesso de peso das britadeiras.

Ao procurar por Tião e companhia limitada, Doutor recebeu a notícia de que haviam viajado ao Rio de Janeiro para trabalharem na reforma de uma sala de TV para um magnata carioca.

Às vezes delegamos nossas atividades, nossos objetivos, nossas realizações e não proporcionamos o acompanhamento, orientação, dedicação e os ajustes que são necessários aos nossos subordinados e/ou contratados. Ao final do trabalho, o risco de erros, distorções e desvios são reais, acarretando prejuízos, retrabalhos e desperdícios de tempo e dinheiro.

Marco Andrade – Diretor-Presidente da PRODEG e colaborador do newsletter da OPP MAIS ®

 


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